É interessante perceber as diferentes possibilidades (e impossibilidades) de sentido proporcionadas pela variaçao do vocabulário de línguas diferentes. Sempre me deparo com inúmeros exemplos, mas minha pobre memória mal me permite lembrar deste que acabo de encontrar: o sentido de "casa" no inglês (home) e a diferença em relação ao português. Sim, eu sei que existe o equivalente "lar" no português, mas me refiro à palavra de uso habitual no português brasileiro (sempre nos referimos ao lar como "casa" - como em "Vou para casa"). A palavra "lar" ganhou um sentido muito mais "doméstico", familiar... "Ela é a dona do lar", ou em formulários de inscrição "Profissão: (x)Do lar". Já "home" é muito característico: "I'm going home".
Pensava isso enquanto olhava para o céu esverdeado coberto por nuvens negras, além da rede de proteção de minha janela. Aquelas cores peculiares vistas por entre os buracos da rede de proteção me fizeram lembrar da música "Tones of Home" do Blind Melon. Uma associação "errada", diga-se de passagem, pois "Tones" quer dizer "tons", mas não o tom que se refere à tonalidade das cores. Como no português essas palavras são homônimas, a associação surgiu involuntáriamente como numa espécie de sinestesia... Os tons do céu por entre os buracos da tela de proteção, a canção e o sentimento de se estar em casa.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Reminiscência II
Quando estou num estado contemplativo, eu olho para as crianças e mergulho na ebriedade que lhes é natural e sinto tudo aquilo já fui um dia. Consciente de mim mesmo como sempre fui, amaldiçoado por essa exagerada auto-percepção (ao mesmo tempo alheia), recordo-me do quão pouco me deixei ser, sempre atento para o olhar vigilante e inquisidor dos adultos e até mesmo de outras crianças. Diziam-me como devia agir diante do outro, como ser esperto, como me vestir, como ser educado, mas nunca me disseram para ser apenas eu. Desde sempre o eu estava fadado a ser lápidado conforme um tu ou um ele(a)... uma palavra que representaria respeito, um gesto de gentileza pré-ensaiada, uma maneira qualquer de demonstrar uma falsa intenção de agradar ao outro, conforme lhes fora ensinado, mesmo que não fizesse sentido aos meus olhos. Aquele eu sempre estava ali, observando espantado os passos de uma dança que me parecia difícil compreender.
Os anos passam e certa maturidade vem. O que eu enxergava, sem compreender, parece de certa forma persistir. E então me pergunto... Seria essa visão uma triste realidade? Ou seria eu apenas mais um adolescentezinho procurando esbanjar toda sua individualidade? Apesar de os 20 anos baterem à porta e os cabelos longos que já se foram... (nada contra, só que eu realmente não ficava bem cabeludo e insistia naquela forma de indivualidade paradoxal)
Os anos passam e certa maturidade vem. O que eu enxergava, sem compreender, parece de certa forma persistir. E então me pergunto... Seria essa visão uma triste realidade? Ou seria eu apenas mais um adolescentezinho procurando esbanjar toda sua individualidade? Apesar de os 20 anos baterem à porta e os cabelos longos que já se foram... (nada contra, só que eu realmente não ficava bem cabeludo e insistia naquela forma de indivualidade paradoxal)
sábado, 3 de outubro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
Yesterday's rain
Enquanto eu atravesso o inferno sozinho, você deve estar transando numa banheira, experimentando novas posições e se perguntando o que mais você poderia querer. O céu está limpo, o sol se põe, tingindo o horizonte de um vermelho róseo, e um vento frio sopra solenemente. Eu contemplo essa paisagem, apocalíptica diante de meus olhos, e me pergunto se algum dia encontrarei paz nesta solidão ou se, como você, conhecerei alguém que me leve de volta ao mundo, me tirando desse estado catatônico.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Saturnine
A vida me dá uma sensação de completo torpor... Tudo tão cíclico, tão repetitivo, tão previsível... As pessoas e as rotinas.
E eu não culparia ninguém além de mim, essa é a pior parte.
E eu não culparia ninguém além de mim, essa é a pior parte.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Sobre textos, músicas e poemas
Acho que estarei falando o óbvio aqui, mas vale a constatação e diria também que é muito mais complexo do que parece. O gosto por um determinado tipo de música, a apreciação de um texto ou de um poema advém em boa parte do entendimento. Vou por partes para tentar ajudar na organização das minhas idéias que neste momento encontram-se extremamente difusas (ainda mais ao som de Tool).
A música:
Você pode gostar de uma música por 2 ou 3 motivos.
1º - O som lhe é agradável, e sendo assim, a melodia o toca de alguma forma. Eu acredito que a melodia da música, assim como as palavras em si, tem muito a dizer. Quem é familiarizado com o post-rock deve entender melhor o que estou dizendo. A atmosfera criada pelo conjunto de instrumentos pode muito bem trazer à tona sentimentos, e se isso acontece a tendência é que você tenha gostado da música. Cada tipo de música tem expressões diferentes, assim como as pessoas são diferentes e carregam sentimentos em relação a algum fator externo, ao ambiente ou em relação a si mesmos diferentes.
2º - "As letras". É a forma (in)direta de se alcançar esses sentimentos. Indireta se o texto fizer uso de metáforas e outras figuras de linguagem. E nesse segundo caso* a música tende a reduzir o seu número de ouvintes a dois grupos "seletos", o daqueles que entendem o que está sendo dito e os que acham que entendem. O que não faz muita diferença, já que na cabeça de cada um tudo faz sentido. Não há motivo nenhum de desmerecimento, acredito eu, já que o que o compositor escreveu está inserido no seu próprio contexto intra-pessoal. Cada um adequa isso à sua realidade.
3º - Quanto a esse tópico não tenho nenhuma certeza (tampouco nos dois anteriores, mas este é ainda mais "experimental"). A constante necessidade de criar rótulos acabou gerando um crescente número de "tribos musicais"(ex.: emos, metaleiros, pagodeiros etc) e, numa determinada faixa etária, a necessidade de inserção é muito grande, sendo assim esses indivíduos adequam seus gostos aos desses grupos, que geralmente tendem a refutar sons que não se enquadram em seus respectivos estereótipos. Consequentemente, a sonoridade das bandas que são ouvidas por eles costumam ser repetitivas, o que não impede seus fãs de idolatrarem cada uma dessas bandas com igual fervor.
Observação: Acredito que o exposto acima não se adequa a pessoas que ouvem música ao acaso.
Os textos e as poesias:
Bem... a letra de uma música e um texto/poesia podem ser coisas muito parecidas, apesar de apresentarem sintaxes diferentes e, sendo assim, uma possível explicação já foi mecionada no segundo tópico sobre música. Sendo o segundo caso referente a poesia em geral e também à alguns textos. Só esqueci de mencionar um detalhe importante que citei no começo desse post. O entendimento! Em se tratando de textos e poesias, para pessoas que gostam de literatura, o entendimento de uma poesia pode determinar sua apreciação. Talvez não pela mensagem expressa pelo poema, mas pela forma geniosa em que ela é transmitida. O simples fato de se chegar a essa mensagem pode ser motivo de excitação, já que alguns autores são extremamente difíceis de serem decifrados.
Nota: O que foi escrito aqui não passa de um simples ensaio. Quero me precaver de ignorantes revoltosos que não sabem diferenciar uma opinião de afirmações categóricas. Críticas são muito bem aceitas. Tenho certeza que faltei em muitos pontos, mas não seria capaz de construir uma argumentação sem lacunas nem se eu tivesse a eternidade para escrever, afinal tudo é questionável.
A música:
Você pode gostar de uma música por 2 ou 3 motivos.
1º - O som lhe é agradável, e sendo assim, a melodia o toca de alguma forma. Eu acredito que a melodia da música, assim como as palavras em si, tem muito a dizer. Quem é familiarizado com o post-rock deve entender melhor o que estou dizendo. A atmosfera criada pelo conjunto de instrumentos pode muito bem trazer à tona sentimentos, e se isso acontece a tendência é que você tenha gostado da música. Cada tipo de música tem expressões diferentes, assim como as pessoas são diferentes e carregam sentimentos em relação a algum fator externo, ao ambiente ou em relação a si mesmos diferentes.
2º - "As letras". É a forma (in)direta de se alcançar esses sentimentos. Indireta se o texto fizer uso de metáforas e outras figuras de linguagem. E nesse segundo caso* a música tende a reduzir o seu número de ouvintes a dois grupos "seletos", o daqueles que entendem o que está sendo dito e os que acham que entendem. O que não faz muita diferença, já que na cabeça de cada um tudo faz sentido. Não há motivo nenhum de desmerecimento, acredito eu, já que o que o compositor escreveu está inserido no seu próprio contexto intra-pessoal. Cada um adequa isso à sua realidade.
3º - Quanto a esse tópico não tenho nenhuma certeza (tampouco nos dois anteriores, mas este é ainda mais "experimental"). A constante necessidade de criar rótulos acabou gerando um crescente número de "tribos musicais"(ex.: emos, metaleiros, pagodeiros etc) e, numa determinada faixa etária, a necessidade de inserção é muito grande, sendo assim esses indivíduos adequam seus gostos aos desses grupos, que geralmente tendem a refutar sons que não se enquadram em seus respectivos estereótipos. Consequentemente, a sonoridade das bandas que são ouvidas por eles costumam ser repetitivas, o que não impede seus fãs de idolatrarem cada uma dessas bandas com igual fervor.
Observação: Acredito que o exposto acima não se adequa a pessoas que ouvem música ao acaso.
Os textos e as poesias:
Bem... a letra de uma música e um texto/poesia podem ser coisas muito parecidas, apesar de apresentarem sintaxes diferentes e, sendo assim, uma possível explicação já foi mecionada no segundo tópico sobre música. Sendo o segundo caso referente a poesia em geral e também à alguns textos. Só esqueci de mencionar um detalhe importante que citei no começo desse post. O entendimento! Em se tratando de textos e poesias, para pessoas que gostam de literatura, o entendimento de uma poesia pode determinar sua apreciação. Talvez não pela mensagem expressa pelo poema, mas pela forma geniosa em que ela é transmitida. O simples fato de se chegar a essa mensagem pode ser motivo de excitação, já que alguns autores são extremamente difíceis de serem decifrados.
Nota: O que foi escrito aqui não passa de um simples ensaio. Quero me precaver de ignorantes revoltosos que não sabem diferenciar uma opinião de afirmações categóricas. Críticas são muito bem aceitas. Tenho certeza que faltei em muitos pontos, mas não seria capaz de construir uma argumentação sem lacunas nem se eu tivesse a eternidade para escrever, afinal tudo é questionável.
Assinar:
Postagens (Atom)